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quinta-feira, 15 de março de 2012

Revitalizar a praia leste

A Praia do Futuro corresponde a um dos últimos grandes espaços da orla marítima de Fortaleza onde o progresso foi contido. Com exploração imobiliária promovida na década de 60 e início da década de 70, sua ocupação espacial é contemporânea dos imensos espaços da Barra da Tijuca no oeste do Rio de Janeiro.

Enquanto a orla carioca registrou, nos últimos 40 anos, crescimento vertiginoso, reorientando a expansão da cidade para regiões até então preservadas no seu formato original, a urbanização da Praia do Futuro emperrou logo cedo. Região privilegiada pelo mar e pelas condições da praia e clima, ela tem de negativo a alta taxa de maresia.

Seu processo de habitação foi desencadeado pela iniciativa privada. Os loteamentos promoveram, muito cedo, a ocupação dos espaços reservados às moradias, enquanto o poder público claudicava no controle urbano e na oferta de serviços essenciais como coleta de lixo domiciliar, transporte público, segurança, água tratada e rede de esgoto.

Algumas dessas providências se efetivaram pela própria força de sua ocupação, como as ligações residenciais de água, o transporte urbano e a telefonia, mas a coleta seletiva do lixo ainda representa um problema. O recolhimento, especialmente das avenidas próximas à praia, não é feito em tempo hábil, após os fins de semana e feriados prolongados, poluindo as áreas.

Os espaços projetados para a abertura de avenidas, ruas, travessas, praças e áreas de lazer, diante da falta de controle de seu uso pelo poder público, foram ocupados desordenadamente. Promover a urbanização tardia da área se torna tarefa hercúlea, geradora de conflitos sociais e de desgastes, pelo mercado irregular de compra e venda dos casebres.

Esse mesmo descaso permitiu a proliferação excessiva das barracas. Na ausência de melhores equipamentos públicos, elas ofertam um serviço de conforto aos frequentadores da praia, de modo especial, aos visitantes. A questão maior diz respeito à expansão desmedida das áreas de comercialização e sua desorganização. A solução encontra-se na esfera judicial, cujo litígio discute a legitimidade das ocupações antes concedidas.

O litoral leste, numa faixa de praia de 10 quilômetros, vive o dilema. Nele há um interceptor oceânico da Cagece, mas as barracas não são ligadas a essa rede coletora de esgoto, porque as autoridades não querem que o benefício implique no reconhecimento da legalidade da posse da área. Mas, sem essas ligações, o saneamento da praia fica comprometido. Por outro lado, o risco de desvalorização dos preços dos imóveis inibe muitos lançamentos, porque os terrenos particulares estão sempre ameaçados de invasão e há o clima de insegurança pelos confrontos de gangues.

Por todos esses embaraços, é salutar o projeto lançado pela Prefeitura de Fortaleza para urbanizar a faixa litorânea leste, com obras de padronização das calçadas, de paisagismo, drenagem, sinalização, construção de ciclovia, nova rede elétrica e reformulação do sistema viário no percurso de oito quilômetros. O investimento previsto é de R$ 93,4 milhões está dentro do plano para a Copa do Mundo em 2014.

Há muito, a Praia do Futuro não era contemplada com um projeto de requalificação como este. Até mesmo a última iniciativa, a reformulação da Praça do Futuro, antiga 31 de Março, vem sofrendo procrastinação. O investimento deveria ter sido concluído em novembro passado, mas a obra se arrasta sem prazo definitivo. É hora de acelerá-la

Fonte: [Editorial] Diário do Nordeste
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segunda-feira, 5 de março de 2012

A arquitetura do espetáculo

"O Acquário segue a linha da arquitetura do espetáculo (...) A questão é saber se a novidade que ele procura significar não é simples-mente a imagem do consumismo vigente"

Uma das grandes questões da atualidade no âmbito do fazer arquitetônico é a discussão acerca da existência, coexistência ou confronto de dois paradigmas: um proveniente da noção de espaço estável, duradouro, que produz uma arquitetura constituída por elementos perfeitamente localizáveis; e o outro derivado da noção de espaço instável, fluido, que gera uma arquitetura que agrega às suas estruturas construídas uma profusão de efeitos especiais.
Do primeiro paradigma emergiria, segundo o filósofo francês Paul Virilio, um espaço composto pela noção do todo que se relaciona e se harmoniza com suas partes; no segundo, o espaço seria composto por partes desintegradas e fraturadas, utilizando o grande aparato tecnológico da era digital. Este geraria o que Virilio chama de “espaço acidental”, em confrontação com o “espaço substancial” proveniente da concepção que considera o edifício um artefato duradouro.

Algumas concepções arquitetônicas atuais procuram expressar a ideia de que a arquitetura passou da hegemonia do espaço fechado e estável para o que alguns estudiosos chamam de “antropologia cultural das superfícies”. É o caso do Acquário Ceará, concebido no âmbito da lógica da fragmentação dos valores plásticos ou ao que filósofo italiano Gianni Vattimo chama de estetização, a construção de um cenário com o fim de promover o espetáculo, a sedução visual, o simulacro – a despeito das relações entre forma, função e conteúdo.

Independente do espaço ser substancial ou acidental, incidirá sobre ele os mesmos determinantes que podem conduzir ao modo como a edificação será implantada no terreno, suas relações com o lugar, o sistema estrutural escolhido, etc, e, finalmente, o resultado formal do conjunto edificado. É, sobretudo, nesta última decisão que a dimensão artística se manifesta, com o resultado plástico em sintonia com as outras decisões projetuais (para o caso da arquitetura substancial) ou não (para o caso da arquitetura acidental). A forma, portanto é autônoma para o segundo caso e não é para o primeiro, embora a intenção plástica esteja presente em ambos.

No espaço substancial ela se manifesta como uma “verdade naval”, como um barco, que é um artefato dos mais expressivos plasticamente mas que é resultante da sua necessidade de navegar. A arquitetura acidental, por sua vez, não concentra seu discurso nos programas arquitetônicos nem na relação forma-função-estrutura. O interesse mesmo é compor o território para além do efeito material das estruturas construídas. A boa arquitetura no âmbito dessa compreensão teórica parece estar na exploração das possibilidades das tecnologias da computação gráfica em criar superfícies envoltórias maleáveis e envolventes com o intuito de criar um novo modo de fruição estética.

O Acquário segue a linha da arquitetura do espetáculo, um espaço acidental que poderá até ser capaz de suscitar a fruição estética no usuário. A questão é saber se a novidade que ele procura significar, mesmo vendida como fruto da capacidade tecnológica atual, não é simplesmente a imagem do consumismo vigente que prega a contínua “renovação” das coisas, dentre elas os edifícios. A ser deste modo, a novidade não terá nada de revolucionário, pois reduzirá a experiência da realidade a uma experiência de imagens, levando à alienação.

Antônio Martins da Rocha Jr.
rochajr@unifor.br - Arquiteto, prof. do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor e membro da Diretoria do IAB-CE


Fonte: O Povo
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sexta-feira, 2 de março de 2012

Manifesto Contra o PL-2043/2011

A ABAP ? Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas, entidade participante do CAU - Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, vem pelo presente manifestar-se contra a aprovação do Projeto de Lei 2043/2011, ora em discussão nas diferentes Comissões da Câmara Legislativa Federal.

Internacionalmente o exercício profissional das três áreas correspondentes ao desenho do espaço é garantido a três categorias profissionais: Arquitetos, urbanistas e arquitetos-paisagistas.

No Brasil, a regulamentação da profissão de Arquiteto e Urbanista existe desde 1933, e desde esta primeira Legislação ( Decreto Federal n. 23.569 de 11 de dezembro de 1933) o exercício da Arquitetura Paisagística está especificado em seu artigo 30, item d, compondo, juntamente com outras atividades concernentes a arquitetura e urbanismo, o quadro das atribuições dos arquitetos e urbanistas brasileiros.

Desta forma, tradicionalmente, vem sendo, desde então, agrupadas as três categorias (Arquitetura, Urbanismo e Arquitetura Paisagística), para os arquitetos urbanistas brasileiros, e suas atribuições.

A ABAP, desde 1976 é membro filiado a IFLA ? International Federation of Landscape Architects ? e reúne profissionais arquitetos urbanistas brasileiros que atuam no campo da Arquitetura paisagística.

Desde 1998 a ABAP ingressou no CBA - Colégio Brasileiro de Arquitetos, como uma das cinco entidades nacionais de representação dos arquitetos e urbanistas brasileiros e lutou pela aprovação do PL 4413/2008, que originou a Lei n. 12.378/2010, de criação do CAU ? Conselho de Arquitetura e Urbanismo ? e que estabelece as atividades e atribuições dos arquitetos urbanistas, e no inciso III do artigo 2o , especifica a atividade da Arquitetura Paisagística.

Desta forma a profissão já existe há mais de setenta anos, e tem sua regulamentação, não havendo, portanto, justificativa para que, neste momento, se apresente uma proposta que somente acarretará perturbação no cumprimento da legislação em vigor.

Pelo presente PL 2043/2011, estão sendo equiparadas diversas e distintas formações profissionais, de categorias diferentes (Artistas plásticos, biólogos, agrônomos, arquitetos, e outros).

Além disso, esse PL considera os títulos de pós-graduação como válidos para formação de profissionais, o que nunca foi considerado por vários conselhos profissionais em nosso país, uma vez que as atribuições profissionais estão, tradicionalmente, vinculadas aos cursos de graduação.

Pelo exposto solicitamos o seu empenho para que este PL seja rejeitado e cessado o seu processo, por entrar em conflito com a legislação existente, criando uma situação que pouco contribui para o entendimento da população quanto às reais potencialidades desta área de atuação profissional.

Jonathas Magalhães Presidente ABAP
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quinta-feira, 1 de março de 2012

Os 80 anos do nosso maior Arquiteto

* Artigo do Presidente do IAB-BA, Nivaldo Andrade

Nivaldo Andrade – Vice-Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento da Bahia

No último dia 10 de janeiro, um dos maiores arquitetos brasileiros completou 80 anos de vida: João Filgueiras Lima, um carioca como Oscar Niemeyer, com quem, recém-formado, colaborou na construção de diversos edifícios em Brasília no final dos anos 1950. Lelé, como é mais conhecido, atua profissionalmente em Salvador desde os anos 1970, quando, a convite do então secretário de Planejamento do Estado, Mário Kertész, projetou as edificações mais marcantes do novo Centro Administrativo da Bahia: os blocos serpenteantes das sedes das secretarias estaduais, formados por caixas de concreto superpostas; os grandes pavilhões de concreto dos centros de exposições, conhecidos como “balanças”; e a Igreja da Ascensão, uma de suas obras-primas.

É a partir dos anos 1980, porém, quando Kertész se elege prefeito de Salvador, que Lelé produz uma série de objetos arquitetônicos engenhosos que não só resolvem problemas práticos do nosso dia a dia como marcam a paisagem da nossa cidade até hoje, a exemplo das passarelas que cortam as principais avenidas de Salvador. Infelizmente, poucos sabem que Lelé, um arquiteto sediado na Bahia, é a mente por trás destes projetos e também de dezenas de escolas, hospitais, residências e tribunais de justiça espalhados por todo o Brasil, de Macapá ao Rio de Janeiro.

Hoje, Lelé é reconhecido como um dos maiores arquitetos brasileiros pela sua preocupação pioneira com os processos de racionalização da arquitetura, através da utilização de elementos construtivos pré-fabricados, de modo a diminuir custos e agilizar a execução das obras. Por trás dessa preocupação com a racionalização da construção, está uma preocupação social: se conseguirmos produzir em larga escala, através da repetição de elementos, será possível reduzir custos e tempo de obra, o que é fundamental  em um país ainda tão carente de infra-estrutura.

Daí o reconhecimento internacional da preocupação social que caracteriza a obra de Lelé e que atinge seu apogeu com os projetos recentemente apresentados pelo arquiteto para o Programa Minha Casa, Minha Vida. Lelé elaborou duas propostas-piloto para o programa habitacional do Governo Federal: uma para Pernambués e outra para Cajazeiras. Contrapondo-se a boa parte da produção do programa, que peca pela baixa qualidade arquitetônica e pelos longos prazos de execução, Lelé demonstrou que seria possível produzir arquitetura de alto nível a preços competitivos, através da criação de mini-usinas com capacidade para produzir, em 45 dias, 40 apartamentos em aço e argamassa armada. Essas mini-fábricas seriam, em seguida, desmontadas e transportadas para novos locais.

Em uma época em que “sustentabilidade ambiental” se tornou uma das expressões da moda –muito repetida e, infelizmente, pouco praticada –, Lelé se destaca também por ter sido um pioneiro na adoção de princípios ambientalmente corretos na arquitetura. Os hospitais do aparelho locomotor da Rede Sarah, concebidos e pré-fabricados no centro de tecnologia da rede em Salvador e, depois, montados em diversas cidades, já adotam, há mais de vinte anos, um conjunto de soluções que permite ao hospital funcionar confortavelmente utilizando-se apenas da ventilação e da iluminação naturais. No Hospital Sarah de Salvador, na Avenida Tancredo Neves, através de soluções como grandes janelas envidraçadas, um sofisticado sistema de galerias de ventilação abaixo do piso e uma série de aberturas na cobertura – os sheds –, Lelé conseguiu criar um imenso edifício hospitalar no qual somente o centro cirúrgico e outras poucas salas, como a de raio X, dependem de iluminação artificial e de um sistema de ar condicionado.

O mais notável, contudo, é que, ao mesmo tempo em que se caracteriza pelo caráter social, pela inovação tecnológica e pela utilização racional dos recursos naturais, a arquitetura de Lelé possui qualidades estéticas inquestionáveis. É por essas e outras razões que devemos louvar os 80 anos de um dos maiores arquiteto brasileiros: o baiano – ainda que por adoção – João Filgueiras Lima, o nosso Lelé.

Fonte: IAB-BA
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Fortaleza 300 anos

Artigo escrito pelo arquiteto e ex-presidente do IAB-CE, Joaquim Cartaxo, e publicado no jornal O Povo na edição do dia 27 de fevereiro de 2012

A ideia de projeto está relacionada a algo porvindouro, ainda não realizado, mas desejável. Vocábulo de origem latina, significa lançar-se à frente. Por outro lado, desenho refere-se a desígnio, destino, vontade, intenção. Desse modo, pode-se qualificá-los como dois substantivos continentes de invenção de futuro, a qual será consequente quando se destinar à construção do presente. Portanto, um projeto para uma cidade é uma busca de futuro, de um destino para ser construído no presente em permanente mutação.

Por exemplo, um plano para Fortaleza requer um projeto de destino para cidade, uma cidade lançada à frente, uma cidade intencional que supere sua condição histórica de cidade acidental e seja capaz de aprofundar as tantas mudanças positivas e superar as inúmeras questões que dificultam o seu desenvolvimento socioeconômico e cultural.

Há oportunidades e desafios suficientes para riscarmos o destino de uma cidade que concentra 65% da riqueza e 30% da população do Ceará; que ocupa a posição de terceira metrópole do País em influência regional, atraindo anualmente mais de 20 milhões de pessoas que desejam serem atendidas quanto aos seus interesses e necessidades, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim sendo, uma cidade que concentra espacial e crescentemente a maioria dos problemas sociais do estado.

A eleição de 2012 é uma possibilidade ímpar para que os sujeitos políticos e sociais que representam setor público, iniciativa privada e sociedade civil se mobilizem, dialoguem e pactuem uma agenda inovadora de natureza socioeconômica, cultural, político-administrativa e de infraestrutura que designe as políticas de habitar, trabalhar, divertir-se e circular na capital do Ceará com conforto e segurança para todos.

Uma agenda com programas, projetos, ações e metas que possam ser implantados até 2026, garantindo a Fortaleza melhores condições de vida efetivas quando completará 300 anos.

Fonte: O Povo
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Uma ideia sobre o IPTU

Artigo escrito pelo arquiteto e ex-presidente do IAB-CE, Joaquim Cartaxo, e publicado no jornal O Povo na edição do dia 13 de fevereiro de 2012

Lê-se no Portal da Transparência da Prefeitura de Fortaleza que, em 2011, o município arrecadou R$ 4.040.182.671 e, desse total, a União e o Estado transferiram R$ 2.572.602.717,00 (63,67%); as receitas de IPTU e de ISSQN contribuíram com R$ 172.071.713 (4,25%) e R$ 427.468.338 (10,58%), respectivamente.

Quanto às despesas, o valor total foi de R$ 3.694.347.643 em que saúde, previdência, educação, urbanismo e habitação juntos gastaram R$ 2.737.945.426 (74%).

Dos R$ 1.168.594.243 despendidos na saúde, R$ 710.600.160,99 foram em assistência hospitalar e ambulatorial. Ao comparar esse valor com a receita, se verifica que a soma das receitas de IPTU e ISS não paga essa conta com assistência; e quase não paga os R$ 573.154.093 gastos com urbanismo e habitação.

Esses números revelam dificuldades financeiras de Fortaleza custear o atendimento das demandas socioambientais, econômicas, de infraestrutura e culturais da Cidade. É preocupante a receita própria do Município está insuficiente para financiar questões básicas como assistência hospitalar, urbanismo e habitação.

É necessário e urgente, uma agenda sociedade-governo sobre como financiar o desenvolvimento da cidade com maior participação de sua receita própria, em especial a do IPTU.

Uma ideia para ampliar essa receita: os proprietários declararão o valor de venda de seus imóveis, assim como declaram os seus rendimentos à Receita Federal, anualmente. Por outro lado, a prefeitura atualizará sua planta de valores imobiliários utilizando os preços dos imóveis publicados nos classificados dos jornais diariamente.

Os números declarados pelos proprietários e os coletados nos classificados gerarão uma planta de valores imobiliários participativa e mais justa economicamente com o objetivo de proporcionar uma maior arrecadação de IPTU que garanta pelo menos o financiamento da assistência hospitalar e ambulatorial.
Fonte: O Povo
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O "Paradoxo Brasileiro" e a Construção do CAU

O PARADOXO BRASILEIRO

Nos quinze anos que morei em Chicago conheci muitos brasileiros. Vários deles eram também estudantes de pós-graduação e também moravam na mesma quadra que eu, em prédios da autoria de Mies van der Rohe. Fiz boas amizades que cultivo até hoje.

Havia uma característica neste grupo que me surpreendia muito e que demorei anos para entender. Essas eram pessoas bem educadas que sempre me trataram muito bem e que eram atenciosos para com os outros. Eram bons anfitriões e generosos em suas recepções aos amigos. Se comportavam com cordialidade e cooperação quando iam à minha casa (cooperação em terra que não tem empregada doméstica é uma contribuição importante!). Quando íamos a restaurantes, essas pessoas faziam questão de pagar a sua parte da conta  - e às vezes queriam até pagar a conta inteira.

Em outras situações, porém, essas pessoas tinham um comportamento que me era incompreensível. Um exemplo claro foi um dia que saímos  - em grupo de uns dez -  a passear pelo Loop (o centro da cidade). Assim que iniciamos a caminhada alguém que estava lá havia alguns meses decidiu comprar o jornal (o exemplar de domingo do Chicago Tribune é uma massaroca de muitos cadernos) e perguntou se mais alguém "queria" jornal. Explicou então aos recém-chegados que nos Estados Unidos ao se colocar a quantia certa para o preço do dia, o armário inteiro se abre e o cliente "podia" pegar "quantos jornais quisesse". Para minha surpresa acharam a ideia ótima e tiraram uns quatro jornais. Não se passaram dez minutos e dois dos pesados jornais "extras" foram jogados no lixo (exatamente na esquina circular da Carson Pirie Scott, o excelente edifício de Louis Sullivan, ricamente ornada com desenhos em painéis de ferro fundido).

Durante muito tempo refleti sobre o que gerava esse "Paradoxo Brasileiro". O que faria com que pessoas com conduta honesta perante os outros constantemente não pensassem duas vezes em fazer coisas como roubar jornais, mesmo quando nem estavam com vontade (muito menos necessidade) de ler.

Depois de alguns anos cheguei a uma conclusão que comprovo até hoje. O brasileiro típico encara a honestidade como um comportamento contextual. Dentre outros contextos, há a honestidade pessoal e a honestidade institucional. As pessoas "do bem" cultivam a honestidade pessoal desde criancinha.  Muitos evitam até vender um carro usado a um vizinho para não correr o risco do vizinho achar que foi ludibriado pela venda. Quando saem em grupos, fazem questão de pagar a sua parte da conta e muitas vezes insistem em pagar a conta de todos. São corretos, gentis e generosos com os seus amigos e familiares, e com o próximo que está próximo.

Quando se trata de interagir com uma instituição, porém, o parâmetro é outro: usa-se o parâmetro da honestidade institucional, onde muitos desvios são permitidos. Se a instituição é pública, então, o parâmetro é ainda mais distante: aí se aplica a Lei de Gérson, e a meta passa ser levar vantagem.

É importante lembrar que até meados da década de 70 não existia, no português coloquial brasileiro, a expressão "dinheiro do contribuinte": tínhamos "imposto" ou, mais frequentemente, "dinheiro do governo". (e eu me lembro disso muito bem pela frustração de não conseguir traduzir "taxpayers money" na época em que ainda amadurecia o aprendizado  do inglês). Há toda uma tendência para que o brasileiro não respeite as instituições.

E porque os brasileiros não respeitam as instituições??? A reposta hoje me parece bastante clara: o brasileiro não costuma respeitar as instituições porque as instituições não costumam respeitar o brasileiro. Ao longo desses cinco séculos construiu-se um país onde é mais importante se relacionar bem com os gestores das instituições públicas do que com a própria instituição (estou sendo generoso evitando utilizar a expressão "donos das instituições públicas").

A CONSTRUÇÃO DO CAU

Hoje eu paguei a minha primeira anuidade do CAU. Não me lembro de ter tido jamais tanta satisfação em pagar uma taxa (que é uma prima do conhecido imposto). Que satisfação! Fiquei emocionado  - emoção esta que se repete agora que escrevo sobre o assunto.

Certamente que há componentes pessoais nesta minha emoção, ao finalmente ver o meu sonho de estudante realizado por este enorme mutirão profissional, iniciado que foi por pessoas que não puderam ver a conclusão de seu trabalho. Mas há também a convicção de que demos o passo certo e que estamos fazendo um grande esforço para que o CAU seja o melhor Conselho que possamos ter. E, talvez o mais importante de tudo, fico emocionado porque me vejo representado no CAU.

E este é o nosso desafio principal na construção do CAU: fazer com que os nossos colegas, TODOS os nossos colegas, se sintam representados no CAU e vejam no CAU O CONSELHO DE TODOS NÓS. Não podemos correr o risco de construirmos um conselho que seja visto como a imagem das lideranças do IAB, FNA ou outras instituições do CBA. O CAU não pode ser mais uma instituição nos moldes dos 500 anos que nasce da realeza e protege os privilegiados em detrimento do povo. Não podemos ser mais um exemplo do Paradoxo Brasileiro.

A receita para isto é muito simples: é necessário que nós Conselheiros nos aproximemos dos nossos colegas. É necessário que nós os representemos não só de direito (o que já fazemos pela 12.378 e outras leis vigentes) como também que os representemos de fato (o que ainda não foi conquistado).

Durante os últimos três anos o nosso objetivo principal foi garantir a existência do CAU: a aprovação da Lei e a implantação dos Conselhos. Por uma série de razões, destacadamente os sucessivos golpes do sistema CONFEA/CREA, várias decisões foram tomadas em grupos menores, algumas vezes em clima de emergencial sigilo.

É necessário que agora engrenemos uma nova marcha. Estamos numa nova fase. Como diria o meu pai, é uma Nova Aurora. O tal do "day after" chegou. O sol já raiou, já é outro dia. Já raiou a liberdade no horizonte da arquitetura brasileira e precisamos chamar TODOS os colegas para esse novo mutirão que será a construção do CAU. (Os colegas que lidaram com habitação popular sabem da força insuperável do mutirão.)

Esse mutirão é NECESSÁRIAO para que possamos realizar um BOM TRABALHO, é FUNDAMENTAL para que o CAU espelhe as aspirações da nossa COLETIVIDADE, e é IMPRESCINDÍVEL para fomentar um RELACIONAMENTO responsável e justo entre o CAU e TODOS NÓS.

Raul Nobre Martins, Arquiteto e Urbanista
Fonte: IAB-TO
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Multidões e políticas públicas

O psicólogo Cássio Braz analisa o que há de viável na realização de megaeventos em Fortaleza e quais seus possíveis êxitos e fracassos

Cássio Braz*

Os denominados megaeventos parecem compor cada vez mais nossa paisagem cotidiana. Não é a toa que milhares de pessoas se reúnem para desfrutar coletivamente de determinados acontecimentos. Esporte, música, pregações religiosas e espetáculos em geral guardam em comum a atratividade coletiva. Essa não é uma característica recente, mas parece estar se tornando mais emblemática e traz à tona uma discussão sobre as implicações desses acontecimentos ante as relações sociais que originalmente lhe conformam. O processo de urbanização tem propiciado que eventos anteriormente limitados em número de assistentes se expandam e se tornem potenciais momentos de reuniões multitudinais.

Talvez seja essa atração coletiva que levou a uma reflexão empreendida pela Psicologia Social acerca do que implica essa conjunção de diferentes pessoas atuando como público – algumas vezes como massa – ainda que de forma muito pontual. Essa tendência à compreensão do fenômeno coletivo esteve no pensamento de Gustave Le Bon (1895) com seu Psicologia das Multidões e posteriormente em Freud (1921) em Psicologia das Massas e Análise do Eu. Não é nosso intuito fazer um recorrido teórico, mas analisar à luz dos fatos mais cotidianos da nossa cidade o que há de viável na realização de eventos coletivos que se aproximam da proposta dos megaeventos e quais as repercussões para seus possíveis êxitos e fracassos.

Estamos na iminência da realização de uma Copa do Mundo e temos observado a insistência do Estado em viabilizar eventos com grande participação coletiva, a tomar como exemplo o Réveillon da Praia de Iracema. O que podemos aprender das experiências passadas com outros eventos que já foram tradicionais e que acabaram por desaparecer no cenário fortalezense? Certamente o primeiro deles e mais evidente é o passar do tempo e as mudanças nas relações humanas. A cidade cresceu e tornou heterogênea a forma de integração dos diferentes grupos sociais. Os estilos de vida são referências concretas de consumo de modelos de comportamento que, por sua variedade, acabam por confrontar formas de produção subjetiva cada vez mais complexas.

Podemos professar a mesma religião, mas antagonizamos preferências musicais. Emocionamos-nos com um mesmo espetáculo cênico, mas temos rivalidades desportivas. Tudo isso gera momentos de aproximação e confronto que não fáceis de administrar na realização de um grande evento. Não fora isso per si uma dificuldade, ainda temos um problema sério de tolerância e de compreensão dos limites entre os espaços públicos e privados. Esses são problemas que derivam da nossa condição humana, mas há problemas que estão relacionados a aspectos mais concretos como a existência de espaços específicos para realização dos mesmos. Vivemos numa cidade cujo Plano Diretor parece frequentemente subestimado e onde o intento de estabelecer limites para convivência coletiva agride em cheio o narcisismo de alguns grupos mais fortes ou poderosos. Isso implica que o uso do espaço urbano acaba sendo regido por interesses muito específicos e por minorias que quase sempre controlam o capital.

Dentro desse cenário limitante e recorrendo a complexificação das relações sociais, não podemos deixar de considerar que a urbanização, vinculada ao processo de industrialização, trouxe consigo uma série de novas características onde é necessário conviver com aquele que nos é o desconhecido. Essa convivência, entretanto, pode e deve ser mediada por políticas públicas. Curiosamente tendemos a perceber que as multidões são responsáveis pelo aumento da violência, o que pode ser um grande equívoco. Infelizmente, no entanto, isso parece mobilizar as questões dos eventos em Fortaleza. O caso específico da realização de grandes eventos em nossa cidade está muito mais associado à definição de políticas públicas e ao respeito dos interesses coletivos. Enquanto tais pontos não forem colocados como prioritários, sempre acharemos que o povo de Fortaleza não está pronto para tais acontecimentos.

* CÁSSIO BRAZ é doutor em Psicologia Social, professor da Universidade Federal do Ceará e coordenador do Núcleo de Psicologia do Trabalho

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Planeta cidade

A enorme demanda por moradia impõe desafios na mesma proporção. Mais moradias implicam maior consumo de recursos

Fábio Angeoletto*

O Brasil experimenta um novo ciclo de urbanização. De acordo com o IBGE, desde os anos 90 nossas cidades médias (aquelas com populações entre 100 mil e 500 mil habitantes) estão crescendo mais rapidamente do que as pequenas e grandes urbes.

Em paralelo, há uma tendência mundial de um aumento maior do número de residências, em relação ao número de moradores das cidades. Em Maringá, no Paraná, por exemplo, na última década, o número de residências cresceu 38,68%, enquanto que a população aumentou em 23,7%. Isso ocorre porque, embora o número médio de pessoas por família tenha diminuído no Brasil, a população segue crescendo. Famílias menores, porém mais numerosas, demandam a construção de mais residências.

Biólogos norte-americanos estimaram que 233 milhões de residências serão construídas em áreas de grande biodiversidade, para acomodar os núcleos familiares que estão se formando. Mais da metade da população mundial vive em cidades, percentual que aumentará nos próximos anos.

A enorme demanda por moradia impõe às municipalidades desafios na mesma proporção. Mais moradias redundam em maior consumo de recursos, e na conversão de bosques e áreas agrícolas em cidades.

Estudamos detalhadamente essas tendências de expansão urbana, e escrevemos a tese de doutorado Planeta Cidade: Ecologia Urbana e Planificação de Cidades Médias do Brasil. A tese foi defendida recentemente, na Universidade Autônoma de Madri, e contém uma série de diretrizes de planejamento com o duplo objetivo de colaborar para o aumento da qualidade de vida, em paralelo à diminuição de impactos ambientais resultantes da urbanização.

As cidades brasileiras predominantemente horizontais, como é o caso das cidades médias, possuem um recurso extraordinário, cujo potencial não é aproveitado. Os quintais urbanos, em conjunto, detêm centenas de hectares de solo que pode ser usado para o cultivo de alimentos, para a conservação da flora (não é incomum encontrar nesses espaços, espécies vegetais ameaçadas de extinção) e para a atração de populações de animais com funções ecológicas importantes, como a polinização.

Estudos da FAO demonstram que cultivos nos quintais podem alimentar as famílias, ao longo do ano, com frutas e hortaliças. Nós vivemos no Brasil o que definimos como a “tragédia da segurança alimentar”: de acordo com o IBGE, mais de 90% da população com 10 anos de idade ou mais não ingere a porção diária de frutas e verduras recomendada pela OMS.

Por outro lado, existe uma correlação entre cultivos em quintais e consumo: as famílias que plantam incorporam esses alimentos à dieta. Evidentemente, o incremento da área cultivada nos quintais só acontecerá com um aporte incisivo de incentivos diversos, que abrangem educação nutricional e suporte agronômico.

É fundamental o estabelecimento de legislação que garanta uma área mínima não pavimentada nos quintais, que, de acordo com nossos estudos, não deverá ser menor do que 100 metros quadrados.

E o planejamento deve se estender às residências. Os municípios precisam oferecer aos cidadãos apoio técnico para a construção de moradias verticalizadas, de modo que a edificação ocupe uma área menor no lote. Ademais, é preciso desenhar vivendas que aproveitem melhor a luz solar e que captem a água das chuvas para os cultivos domésticos.

Plantar nos quintais significa diminuir os impactos derivados da agricultura industrial, como a morte de milhões de animais envenenados pelo uso de pesticidas. Mas os benefícios são mais amplos.

No Reino Unido, a jardinagem é considerada uma estratégia para a promoção da saúde mental: cultivar é relaxante. No Brasil, sequer conhecemos a área média dos quintais de nossas cidades, o que inviabiliza sua planificação.

As famílias florescem e o concreto avança, materializando o sonho e o direito à moradia. Mas um teto, apenas, é muito pouco para uma família, e um ônus severo ao ambiente, se continuarmos a repetir as velhas fórmulas de um urbanismo obtuso. O momento pede criatividade e ação.

*Fabio Angeoletto é doutor em ecologia, pela Universidade Autônoma de Madri, e professor do Mestrado Profissional em Políticas Públicas da Universidade Estadual de Maringá (PR).


Fonte: O Povo
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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Há 200 anos

Artigo escrito pelo arquiteto e ex-presidente do IAB-CE, Joaquim Cartaxo, e publicado no jornal O Povo na edição do dia 02 de janeiro de 2012

Em seu livro Datas e factos para a história do Ceará, o Barão de Studart registra o início da obra da Fortaleza de N. S. d’Assumpção pelo governador Sampaio em 12 de outubro de 1812, projetada pelo engenheiro militar Silva Paulet e concluída em 1822.

A publicação anota que o governador lançou “perante toda a Camara, nobresa e povo os fundamentos da Fortaleza que vai se edificar n’esta mesma vila” (sic) e que tomou “uma enxada, cavou e deo trez enxadadas na terra, desta forma dando princípio a edificação da dita Fortaleza” (sic). Portanto, um evento histórico que completará 200 anos em outubro.

Dentre outras, essa obra representa a evolução da Vila do Forte - futura cidade de Fortaleza – como comunidade urbana, isto é, uma comunidade com mercado durante as duas primeiras décadas do século XIX.

São indutores das mudanças socioeconômicas e culturais, a separação da capitania do Ceará de Pernambuco em 1799 e o porto da Vila transformar-se em escoadouro de algodão, um produto novo que surge no mercado internacional a partir da indústria têxtil inglesa.

Nesse passo, instala-se a primeira Casa de Inspeção de Algodão em 1802; Flor do Mar é o primeiro navio a aportar no Mucuripe vindo direto da Europa em 1803, inaugurando nova linha de navegação; em 1809, é iniciado o comércio direto com a Inglaterra; em 1811, estabelece-se a primeira casa de exportação e importação do irlandês William Wara.

Concomitantemente, surgem as obras de melhorias urbanas realizadas pelo governador Sampaio no período de 1812 a 1820: construção do mercado público, passando a concentrar os intercâmbios comerciais da cidade que antes ocorriam ao longo da rua dos Mercadores, hoje Conde D’Eu; construção de chafarizes; elaboração por Paulet de um plano urbanístico que determinará a configuração da cidade porvir, uma malha ortogonal que, daí em diante, será seguida no processo de organização e expansão física de Fortaleza.

Fonte: O Povo
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Torres gêmeas: a queda das mentiras

O governo mais mentiroso na história dos Estados Unidos colocou sobre a mesa três informes para esclarecer o que aconteceu no dia 11 de setembro de 2001. O que dizem é muito simples: esse dia foi realmente histórico porque se romperam as leis mais elementares da física. Mais de 1.500 engenheiros, arquitetos e físicos pedem uma nova investigação sobre o que ocorreu neste dia em Manhattan. O artigo é de Alejandro Nadal, do La Jornada.

Alejandro Nadal – La Jornada

Qualquer um que tenha dúvidas sobre o colapso das Torres Gêmeas no dia 11 de setembro de 2001 conhece a síndrome. Seus conhecidos perguntarão invariavelmente: então você acredita na teoria da conspiração? E aqui é onde você não deve fraquejar. As dúvidas são sobre o “colapso”. Não se deve recuar nem um centímetro dessa questão: a queda das Torres Gêmeas e do arranha-céu WTC 7 (de 47 andares, que não foi atingido pelos aviões) não recebeu uma explicação adequada. É preciso não perder isso de vista. E as discussões sobre conspirações não ajudam em nada a esclarecer a forma e a velocidade do dito colapso.

Esse é o ponto central sobre o qual se concentra a análise dos membros da organização Arquitetos e Engenheiros pela Verdade do 9/11. Qualquer um pode examinar o volumoso expediente de provas reunido por essa organização em sua página na internet – www.ae911truth.org. Já são 1.549 engenheiros, arquitetos e físicos estadunidenses que assinaram uma petição pedindo uma investigação séria sobre o que ocorreu neste dia em Manhattan. Ninguém pode deixar de dar uma olhada no material desse portal.

Tudo isso merece uma explicação mais detalhada. Os aviões que foram lançados contra as Torres Gêmeas provocaram uma forte explosão e um grande incêndio. Os informes oficiais das agências estadunidenses se limitam a examinar o que ocorreu nos edifícios no período transcorrido entre o impacto dos aviões e o início do colapso. Uma vez iniciada a queda das torres os informes abandonam o relato.

Após falar do impacto e do incêndio, tudo se passa como se o tema tivesse sido esgotado e já não fosse necessário seguir a análise. Os informes do Instituto de Normatização e Tecnologia (NISTP), da Agência de Administração de Emergências (FEMA) e da Comissão Especial formada pelo então presidente Bush apresentam diferenças. Mas coincidem em que os incêndios não fundiram a estrutura de aço e que o impacto e o fogo debilitaram os suportes dos pisos diretamente afetados fazendo com que cedessem e provocando assim a queda dos edifícios. A sua explicação vai até aqui.

Mas o essencial é o seguinte: os informes não dizem nada sobre a forma em que se desenvolve o colapso das Torres Gêmeas ou do edifício WTC7. Entre outras coisas, não explicam por que os três edifícios caíram na velocidade de uma queda livre. A evidência das filmagens das três quedas é claríssima. Nos três casos, o colapso ocorre como se entre os pisos superiores e a planta baixa não houvesse nada que oferecesse resistência.

Isso é uma anomalia que surpreende qualquer arquiteto ou engenheiro. As estruturas de aço dos pisos inferiores são feitas para resistir e estavam intactas depois do impacto dos aviões. Elas tinham que oferecer resistência. Os informes especiais não dizem nada sobre isso.

Por outro lado, as duas Torres Gêmeas eram compostas de várias centenas de milhares de toneladas de concreto que foram pulverizadas na queda. Os engenheiros, físico e arquitetos que examinaram as evidências depois do colapso sabem bem que, se se lança um bloque de concreto de uma altura de cem andares, a única coisa que se consegue é que ele se despedace.

Mas não vai se pulverizar. Para isso, se requer uma fonte de energia adicional. Os pisos superiores poderiam comprimir e pulverizar o concreto dos pisos inferiores? A resposta é negativa: se os pisos superiores tivessem comprimido os pisos inferiores, provocando a pulverização, a queda não teria ocorrido a uma velocidade gravitacional.

Como foi eliminada a resistência dos pisos inferiores para permitir o colapso à velocidade de queda livre? De onde saiu a energia que permitiu pulverizar as centenas de milhares de toneladas de concreto das duas torres? Essas duas perguntas carecem de uma resposta oficial. Vários estudos sérios apontam em uma direção: explosivos.

Não se trata de explosivos convencionais, como os usados em qualquer demolição controlada. A análise de amostras de pó e de fragmentos das construções revela a presença de microesferas de ferro fundido e alumínio, que é um sinal de reações com o explosivo incendiário térmita. Vários estudos sobre amostras de poeira concluíram pela presença de estilhaços com compostos de nanotermita (partículas de óxido ferroso incrustradas em uma matriz rica em carbono). Tudo isso indica, segundo esses estudos, a presença de explosivos não convencionais nos acontecimentos do 11 de setembro, que poderiam ter eliminado a resistência dos pisos inferiores, explicando assim a velocidade de queda livre do colapso.

O governo mais mentiroso na história dos Estados Unidos colocou sobre a mesa três informes para esclarecer o que aconteceu no dia 11 de setembro de 2001. O que dizem é muito simples: esse dia foi realmente histórico porque se romperam as leis mais elementares da física.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Fonte: Correio do Brasil
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Em busca da cidade ideal

É preciso pensar uma nova forma de conceber o espaço urbano, levando em conta a transformação das cidades e do meio ambiente. A arquitetura verde põe em xeque a ilusão moderna, marcada pela racionalidade, que acalentou o século XX
   
Uma nova utopia urbana está sendo inventada. Desta vez, a racionalidade e a funcionalidade - consideradas características da arquitetura moderna, que deixou sua marca no século XX, expressa no concreto e no vidro - são substituídas pela preocupação em projetar espaços urbanos nos quais homem e natureza vivam em harmonia. Surgida a partir dos anos 1980, juntamente com o conceito de desenvolvimento sustentável, hoje, cada vez mais, seus preceitos, baseados em projetos que utilizam conforto térmico e acústico, baixo consumo de energia, uso racional de materiais, entre outros elementos, ganham espaço.

A arquitetura sustentável não fica restrita apenas às residências ou aos edifícios comerciais. O conceito é transposto para as cidades e bairros, como a City of Tomorrow, assentamento construído em Malmö (Suécia), um dos mais recentes casos de projeto urbano que utiliza 100% de energias renováveis produzidas localmente.

Compromisso

Para alguns arquitetos e urbanistas, não se trata de nova utopia, mas de uma condição para garantir a sobrevivência do homem e do planeta. Arquitetura sustentável envolve compromisso tanto da sociedade quanto dos governantes. E, mais, não se trata de invenção da sociedade contemporânea.

"Historicamente, os bons arquitetos fizeram edificações sustentáveis", constata o arquiteto e urbanista Marcondes Araújo, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), pesquisador em edificações e cidades sustentáveis com premiações latino-americanas.

Prova disso é a volta que faz ao passado, sem sair do Ceará, para citar como exemplo de uma construção sustentável: o Náutico Atlético Cearense, projetado pelo arquiteto Emílio Hinko. Estudioso de sua obra, Marcondes Araújo destaca a importância da edificação, que tem 82 anos, uso intenso, baixa manutenção e trabalha com luz e ventilação naturais, elementos que caracterizam as construções sustentáveis contemporâneas. "É preciso diferenciar construções sustentáveis de marketing verde", enfatiza.

A arquitetura verde ou sustentável consiste em respeito à natureza e não valorizar apenas o homem, explica. Além de levar em consideração a natureza como um todo, os projetos devem usar técnicas sustentáveis como o reúso de água, energias limpas e valorizar os materiais locais. Cita o bambu, a taipa, a carnaúba, as pedras da região e o marmeleiro como excelentes opções. "A edificação sustentável propõe uma nova relação do homem com o universo", diz, lamentando que, por enquanto, é apelativo e fora do contexto ao enfatizar valores que não correspondem à realidade.

A indústria da construção civil é uma longa cadeia produtiva que envolve desde mão-de-obra ao uso de materiais, sendo importante encontrar soluções locais. Existem exemplos mundo afora de construções sustentáveis. "Arquitetura sustentável requer uma relação ampla, proporcionando harmonia das pessoas entre si, sem esquecer de nenhum elemento que integram a vida no planeta.

As construções representam os investimentos mais caros que a humanidade tem. "A arquitetura é para ser vivida, não é vitrine", destaca o arquiteto, completando que construção sustentável não é algo de curto prazo, portanto, não pode ser analisada simplesmente pela ótica do custo-benefício. "Deve ser pensada como algo mais duradouro". Deve ser incentivado o uso de energias renováveis como a eólica e a solar que já estão competitivas, podendo ser mais incorporadas aos edifícios. As cidades devem ser pensadas para 20, 50 ou 200 anos e não como acontece para quatro anos, tempo de uma gestão de governo.

Ideal
A discussão em torno da cidade ideal não é de hoje. Inicialmente, a casa serviu como abrigo, passando depois a ser vista como um dos elementos integrantes da sua identidade. Concepção semelhante pode ser estendida à cidade, cujas primeiras foram construídas como formas de proteção. Hoje, as cidades constituem espaços de referência na vida das pessoas. As casas e as cidades estão inseridas em contextos social, econômico e cultural que vão se adaptando a cada período.

Desde "a casa como toca", é assim que o estudioso italiano Federico Butera, professor de Física Aplicada da Universidade Politécnica de Milão, começa a narrar a história do conforto, no livro "Da caverna à casa ecológica", até à cidade do futuro, que o homem realiza uma queda-de-braço com a natureza.

Diferentes da casa e da cidade moderna, as "tocas" eram espaços pensados não para as pessoas permanecerem nelas por muito tempo. A vida se desenvolvia no espaço aberto, diferente da vida moderna. A casa como ambiente de aconchego e de relaxamento é uma invenção recente.

Pela descrição de Federico Butera, nem mesmo as casas ricas da Roma antiga gozavam de conforto ou de saneamento. Nas cidades e casas das populações pobres, o quadro era ainda pior. Não contavam com latrinas e os moradores, certamente, deviam usar banheiros públicos. Para quem esperava dias melhores na Idade Média, a realidade piorou, provocando uma degradação urbana em muitas cidades europeias, como foi verificado até o início do século XIX.

Futuro
Em 1914, o arquiteto Antonio Sant´Elia (1888-1916) expôs o manifesto da arquitetura Futurista, no qual imaginava a cidade como uma associação puramente mecânica, equiparando o seu funcionamento ao de uma máquina. Essa cidade era construída a partir de aglomerados utilizando materiais típicos da era moderna: concreto armado, vidro e fibra têxtil. Depois, Le Corbusier propõe a sua Vila Radiosa que privilegiava a residência. O projeto foi formulado nos anos 1920/1930. Não havia uma divisão de classe entre elite e trabalhadores, e a ordenação de cidade abrigava homem, máquina e natureza de forma harmoniosa. Apenas para citar dois exemplos da utopia urbana que caracterizaram a cidade moderna. Hoje, a arquitetura começa a rever os seus conceitos e, agora, não se trata apenas de uma mudança na estética das edificações, é preciso pensar uma nova forma de conceber o espaço urbano, levando em consideração as transformações pelas quais as cidades e meio ambiente passam.

IRACEMA SALES
REPÓRTER
Fonte: Diário do Nordeste
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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Paisagismo é sinônimo de beleza e valorização


A busca pela praticidade substituiu o gramado por piso cerâmico e as famílias se afastaram cada dia mais do contato diário com a natureza. O quintal totalmente impermeável não permite, por exemplo, que os moradores sintam o cheiro tão característico de terra molhada, porque a água da chuva escorre direto para a rua asfaltada.

Mas a corrida pelo ambiente prático que exige pouco trabalho está perdendo a velocidade.

Viver cercado de verde, de flores e de todos os elementos que nos conectam com a natureza, mais que uma tendência, tem se tornado uma necessidade vital. Muitos já sentem a falta do cheiro e da beleza das flores e começam a buscar imóveis que contemplam o apelo ecológico e sustentável.

O paisagismo enche os olhos dos clientes não só pela beleza, mas porque é um dos aspectos que valorizam o imóvel. "O paisagismo está mesmo em alta porque permite um convívio maior com a natureza e cria um microclima que melhora a temperatura", comenta a arquiteta Milena Buzzo, da Ecoingá Empreendimentos.

Segundo ela, pelo menos oito em cada dez clientes pedem projetos que contemplem o paisagismo. Milena explica que, na construtora, a integração com a natureza já faz parte dos projetos apresentado aos clientes.

Segundo ela, em imóveis já prontos, cabe ao arquiteto encontrar a melhor solução para colocar um pouco da natureza dentro ou fora de casa. "É importante parar de construir destruindo. Se não mudamos essa prática, não vai sobrar nada para as futuras gerações", alerta a arquiteta.

Divulgação


Estudos apontam que o projeto paisagístico pode aumentar o valor do imóvel entre 10% e 30%

Vale mais

Um estudo feito nos Estados Unidos revela que o paisagismo pode aumentar de 10% a 30% o valor do imóvel. Um relatório da Global de Jardim, da Husqvarna, que ouviu cinco mil proprietários e 44 corretores imobiliários de nove países, revala que um jardim bem cuidado valoriza o imóvel em até 16%.

Segundo a paisagista Elaine Furtado Godoy, não é à toa que cresce a busca por projetos paisagísticos, que embelezam e valorizam o imóvel aos olhos dos potenciais compradores.

Ela diz que o estilo de jardim mais procurado é o de contemplação, em que se procura harmonizar plantas, formas, cheiros, sonoridade (o som de uma cascata, por exemplo) e que convida ao relaxamento.

Formada na Escola Paulista de Paisagismo e Instituto Brasileiro de Paisagismo, Elaine comenta que, embora o jardim cumpra várias funções em áreas interna ou externa, em Maringá, a busca pela belezas se sobressai. Os jardins tropicais são os mais apreciados. Neles são bem-vindos pedras, lagos ou fontes, sempre com a aparência e elementos mais naturais possíveis.

De acordo com a paisagista, espécies como palmeiras e agaves, que são resistentes ao sol, são bastante utilizadas nesse tipo de projeto. O cuidado na implantação é muito importante, mas a beleza do jardim vai depender da atenção que as plantas vão receber no dia a dia.


Paisagismo

O paisagismo é muito mais do que uma simples escolha de flores e plantas que vão compor o jardim do imóvel. É resultado de um planejamento minucioso, integrado ao projeto de arquitetura.O projeto paisagístico não contempla só o aspecto estético, mas o funcional. Ele tem de resultar em conforto e dar as condições necessárias para que os usuários do imóvel possam desenvolver as atividades na área externa, convidando e estimulando ao uso e a permanência na área.No processo de criação, o paisagista deve promover estudos sobre a escolha da vegetação que melhor se adapte ao clima e ao solo do jardim, a disponibilidade hídrica, além de todo conjunto de iluminação, cores, tamanho e área útil.Decks, pergolados, spas, entre outros também dão charme à área externa.

Fonte: O Diário | Maringa Imóveis
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Concursos ameaçados

O importante papel que os concursos públicos de arquitetura e urbanismo desempenham para a cidade.

Por Luiz Fernando Janot*

A recente divulgação do resultado do “Concurso Porto Olímpico”, que premiou quatro excelentes projetos para a construção da Vila da Mídia, da Vila dos Árbitros, do Centro de Convenções e de um Hotel na Região Portuária do Rio, destinados a abrigar temporariamente uma parte das instalações para a realização das Olimpíadas de 2016, merece uma reflexão sobre o importante papel que os concursos públicos de arquitetura e urbanismo desempenham para a cidade.  

A decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de promover uma série de concursos de projetos em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) constitui, sem dúvida, a maneira mais adequada de assegurar para a cidade a qualificação e valorização da sua arquitetura e dos seus espaços urbanos. Os concursos públicos de projeto, além de estabelecerem um debate profícuo em torno de questões urbanas e arquitetônicas, oferecem uma excepcional oportunidade para revelar jovens e talentosos arquitetos interessados em participar do processo de construção da cidade. 

Todavia, essa modalidade democrática de seleção de projetos para a construção de obras públicas encontra-se ameaçada pela conversão em lei da Medida Provisória que criou o “Regime Diferenciado de Contratações Públicas” (RDC), destinado a agilizar a contratação de obras e serviços relacionados com a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Se logo após o Brasil ter sido escolhido para sediar a Copa do Mundo e o Rio para receber os Jogos Olímpicos, as autoridades públicas tivessem ouvidos os apelos para a realização de concursos públicos de projetos, os atropelos de última hora teriam sido evitados. Essa lei cria o sistema de “Contratação Integrada”, onde todos os serviços vinculados a uma determinada obra deverão ser contratados exclusivamente com uma única empresa, ou seja, se contrapondo ao princípio que recomenda desvincular os projetos da contratação das construções.  

Pela lei de licitações vigente, o Poder Público é obrigado a apresentar às empresas concorrentes o projeto básico e um orçamento estimativo da obra que pretende realizar. No regime de “contratação integrada” isso não é exigido. Compete à empresa interessada na licitação apresentar a sua proposta orçamentária utilizando, como referência, a descrição sumária da obra e outros pormenores que lhes foram apresentados previamente pela Administração Pública. Aos ser dispensada a exigibilidade do projeto básico no processo de licitação, a empresa vitoriosa ficará com a incumbência de elaborá-lo posteriormente com base na estimativa orçamentária que apresentou para concorrer. Ou seja, se dará para a raposa a chave do galinheiro.

É importante ressaltar que o grau de precisão orçamentária de um obra é diretamente proporcional ao nível de detalhamento do projeto e do rigoroso cumprimento dos padrões técnicos especificados. Portanto, a falta de projetos detalhados tende a gerar orçamentos imprecisos e comprometedores da qualidade da obra. Seria muita ingenuidade acreditar que as empresas contratadas irão absorver os eventuais prejuízos decorrentes dos equívocos cometidos na elaboração dos projetos ou dos próprios orçamentos. Não resta dúvida de que os ajustes futuros recairão sobre os projetos e a qualidade dos construção.

Se, de fato, o papel relevante dos projetos está sendo desconsiderado na lei, conviveremos em breve com uma perda irrecuperável para a cidade e para a arquitetura brasileira. Ao se transformar o projeto num mero objeto para manipulação orçamentária, haverá, inevitavelmente, um retrocesso na bem sucedida política de organização de concursos públicos de arquitetura e urbanismo no Brasil. Perde-se, desta forma, um modelo democrático e transparente de concorrência que não esconde da sociedade os pormenores da licitação nem os trabalhos que participaram da disputa. Numa época em que a União Européia adota os concursos de projetos como uma obrigatoriedade legal, é um absurdo restringir esse procedimento num momento em que o desenvolvimento econômico do Brasil adquire destaque internacional.

Portanto, diante do risco de se relegar ao segundo plano o importante legado arquitetônico e urbanístico que os grandes eventos esportivos deverão deixar para a cidade, espera-se que a Prefeitura do Rio, contrariando essa tendência, não poupe esforços para continuar utilizando os concursos públicos de arquitetura e urbanismo como a política de governo para a contratação de obras importantes na cidade. Com o passar do tempo, certamente esses dois grandes eventos esportivos acabarão esquecidos. No entanto, o seu legado permanecerá incorporado à cidade como memória viva de um momento relevante da sua história.

*Arquiteto Urbanista
Professor da FAU-UFRJ
lfjanot@superig.com.br

Texto publicado originalmente no site do IAB-RS
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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Perspectivas e desafios para o jovem arquiteto no Brasil: Qual o papel da profissão?

Qual seria o papel social do arquiteto? Será que a aquitetura brasileira não está se limitando apenas à prática da arquitetura autoral? Essas e outras questões são assuntos abordados no artigo de João Sette Whitaker Ferreira, arquiteto urbanista e vice presidente do Intituto de Arquitetos do Brasil Dep São Paulo.

O artigo "Perspectivas e desafios para o jovem arquiteto no Brasil: Qual o papel da profissão?" publicado originalmente no site Vitruvius rendeu ao autor uma moção de congratulações da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) pela "relevância de seu conteúdo e das reflexões ali contidas. "
        

 Leia o artigo completo aqui

Sobre o autor

João Sette Whitaker Ferreira, arquiteto-urbanista e economista, mestre em ciência política e doutor em urbanismo, é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e da Universidade Mackenzie, e coordenador do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos – LabHab, da FAUUSP. É, para o ano letivo 2011-2012, professor visitante do Institut de Hautes Études de l´Amérique Latine – IHEAL (Paris3-Sorbonne Nouvelle). Autor do livro O mito da cidade global (Vozes, 2007), é atualmente vice-presidente do IAB-SP.
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quarta-feira, 6 de julho de 2011

MP 527: Remédio ou veneno?

O Presidente do SINAENCO, João Alberto Viol, manifesta opinião sobre a medida provisória que desobriga os entes públicos em contratar bons projetos e melhores soluções para a Copa do Mundo.

Regime Diferenciado de Contratações para obras da Copa e Olimpíada traz graves equívocos

João Alberto Viol,
presidente do Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco)

A aprovação, ontem na Câmara Federal, da MP 527/11, que cria o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para acelerar a realização das obras para a Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo de Futebol (2014) e Olimpíada (2016), carrega em seu corpo um grave equívoco: o de que basta mudar os ritos legais de contratação para agilizar as obras necessárias à realização desses megaeventos.

Ao aprovarem a proposta, os deputados federais apenas confirmaram o viés (?) torto(?) adotado pelo Governo nesta questão e sua aparente cegueira sobre os potenciais prejuízos que essa decisão poderá trazer ao país.

O Governo alega que nessa modalidade de contratação integrada a mesma empresa/consórcio será responsável por desenvolver os projetos e obras e que isso será a melhor para o país, citando as contratações da Petrobras e as utilizadas pelo governo britânico como modelo inspirador.

Até aí, o.k. Mas, entre as coisas não ditas pelos que defendem essa modalidade, está o fato de que os britânicos utilizam o modelo de contratação integral de forma totalmente diferente e não como solução emergencial para corrigir os problemas devido à falta de planejamento.

Londres começou a planejar as obras para os Jogos Olímpicos de 2012 sete anos antes, em 2005, quando criou a Olimpic Delivery Authority (ODA), responsável pela gestão e coordenação de todas as obras relacionadas à Olimpíada. As autoridades da capital britânica dedicaram dois anos para desenvolver, em detalhes, os estudos e projetos para os diversos itens necessários: parque olímpico, obras de transporte, de sustentabilidade ambiental, econômica e social, entre outras.

A construção, contratada com base nesses projetos completos, está sendo executada também rigorosamente dentro do cronograma e do valor global estipulado na contratação, com a qualidade definida nos projetos. Algo totalmente adiverso do que está sendo proposto pelo RDC e, infelizmente, muito diferente do que tem sido a prática dos governos, nos seus três níveis, envolvidos com obras para 2014 e 2016.

Diferentemente dos britânicos, a proposta aprovada ontem pela Câmara prevê a possibilidade de alterações nos valores globais contratados para os casos fortuitos, que provoquem desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. E, principalmente, em seu artigo 39, abre as portas para elevações de custos diversos para atender às modificações supervenientes decorrentes de normas ou exigências apresentadas pelas entidades internacionais de administração do desporto (Fifa e Comitê Olímpico Internacional, COI) nos projetos básicos e executivos das obras e serviços referentes aos Jogos Olímpicos à Copa do Mundo Fifa 2014, desde que homologadas, respectivamente, pelo COI ou pela Fifa".

Alguns alegarão que a atual legislação brasileira de contratação de serviços e obras públicas, a Lei 8.666/93, está defasada e não permite a agilidade necessária ao desenvolvimento da infraestrutura do país. A Lei 8.666 certamente pode e deve ser aperfeiçoada. Mas atribuir apenas à legislação a ineficiência na execução das obras públicas é o mesmo que exigir que os carros movam os bois. O problema central é a falta de planejamento, que permite pensar antes, para fazer o necessário com o melhor projeto completo e detalhado. A contratação dos projetos executivos (completos) de arquitetura e engenharia pela melhor solução técnico-econômica são os insumos fundamentais para a boa construção, com custo e prazos adequados.

O principal problema da contratação integrada é que ela será definida com base em um anteprojeto, etapa anterior ao projeto básico e que já não é o melhor parâmetro para a contratação pública de obras. Essa opção joga no lixo o conhecimento acumulado pela arquitetura e engenharia brasileira.

Disso podem resultar possíveis vícios (escolha de sistemas construtivos e especificação de materiais pelo menor preço e nem sempre os mais adequados, ensaios preliminares em menor quantidade e abrangência do que o ideal, por exemplo), para garantir maior lucro no contrato. E não agilizará o processo porque, para apresentar proposta, a construtora/consórcio precisará realizar estudos e ensaios (topográficos, geotécnicos etc.) e desenvolver projeto básico e executivo para ter definição técnica e, principalmente, econômica da obra. Esse processo tem elevado grau de complexidade e não há como ser desenvolvido em curtíssimo prazo, sob pena de resultar em empreendimentos sem a qualidade e a durabilidade necessárias.

Esse erro conceitual grave permeia o equívoco da proposta do governo e poderá trazer, caso aprovado o RDC, mais problemas do que soluções. Na medicina, o diagnóstico deve ser embasado em exames completos e rigorosos, sob risco de prescrição de procedimentos e remédios inadequados. Da mesma forma, em obras públicas também é essencial o projeto completo, orientado por ensaios diversos e diagnósticos bem-executados. O RDC, se aprovado como está, poderá representar uma fonte de problemas, em vez de ser um remédio eficaz para a administração pública ter obras executadas mais rapidamente, com qualidade e a preços adequados.

Fonte: IAB-RS
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terça-feira, 5 de julho de 2011

O centro da maioria

Artigo escrito pelo arquiteto e ex-presidente do IAB-CE, Joaquim Cartaxo, e publicado no jornal O Povo na edição do dia 04 de julho de 2011

Consolidando a tendência de dispersão de atividades das metrópoles brasileiras, o Centro tradicional de Fortaleza transformou-se em lugar que atende interesses e necessidades das camadas populares nas três últimas décadas. Transformação produzida pelo deslocamento de atividades de relevância econômica e as de natureza especializada, estabelecidas no Centro para outras locais da cidade com atributos de centralidade como os shopping centers.

Ocupado pelos pobres, o Centro passa a ser difundido como lugar degradado, em especial porque uma quantidade significativa de suas edificações se encontra em condições de quase-ruína, sem se avaliar que uma das causas disso foi o abandono do Centro pelas camadas de alta renda.

Além de difundir a ideia de degradação do Centro tradicional, essas camadas tentam destrui-lo quando buscam consolidar a ideia de que o mesmo não é mais o centro da cidade e lhe imprimir a imagem de “centro velho” que foi substituído pelo “centro novo”.

Uma manifestação histórica disso está na letra do jingle do primeiro shopping center da cidade de Fortaleza, inaugurado em 6 de novembro de 1974, de uma autoria do compositor cearense Ednardo que diz: “Depois que acabaram com a Coluna da Hora/Depois que derrubaram o Abrigo Central/O Centro da cidade mudou pra outro local/Tem ar pra respirar /Tem muito espaço pra andar/Tem coisas lindas pra olhar/Pois, o Centro agora é o Center Um.

Evidencie-se que o denominado Centro novo não passa de uma parcela do Centro tradicional que se deslocou em direção às camadas de alta renda para atender suas conveniências.

Uma política urbana para o Centro de Fortaleza deve partir do fato dele haver se transformado no lugar onde interesses e demandas socioeconômicos das camadas populares são atendidos. Logo, os objetivos e metas dessa política têm que estar orientados para vencer o desafio de servir bem à maioria da população da cidade.


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sexta-feira, 1 de julho de 2011

A cidade engessada

Depende da aprovação da referida Lei Comple-mentar a implantação de projetos como o Acquario Ceará

Coluna escrita por Fábio Campos

 Com pompas e circunstâncias, o Plano Diretor de Fortaleza foi lançado em março de 2009. Portanto, há dois anos e três meses. O problema é que uma lei como esta precisa de outras leis de regulamentação. Sem isso, a gestão urbana da cidade mergulha no pernicioso vácuo legal.

O Plano Diretor foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal de Fortaleza quando Salmito Filho (PT) presidia a Casa. O vereador se empenhou pessoalmente na aprovação. Em maio passado, Salmito foi à tribuna e fez o que deveria fazer: reclamou da falta de regulamentação.

Nada demais se o projeto de Lei Complementar propondo regulamentação do Plano não tivesse dado entrada na Câmara três meses antes do pronunciamento de Salmito. O projeto em questão não é o Plano Diretor em si, mas apenas a regulamentação do que já foi aprovado pelo Legislativo. Portanto, um ajuste.
Após um imbróglio político, o projeto está (há 16 dias) dormindo na comissão especial da Casa criada com o objetivo exclusivo de apreciar tudo o que for relativo ao Plano Diretor. E o relator é justamente o vereador Salmito Filho.

A importância da regulamentação do Plano Diretor é óbvia, mas a gravidade e urgência do problema têm uma dimensão muito maior do que se imagina. O vácuo inviabiliza boa parte dos grandes projetos urbanos planejados para Fortaleza.

Só para que os leitores tenham uma ideia, depende da aprovação da referida Lei Complementar a implantação de projetos como o Acquario Ceará, obra do Governo estadual na Praia de Iracema. Só a construção do Acquário já justificaria a necessidade de aprovação do projeto, mas não fica apenas nisso.
O programa Minha Casa, Minha Vida só se viabiliza com o aumento do tamanho das áreas de terreno passíveis de loteamento. Com a regra em vigor hoje, somente projetos de pequeno porte, com pouco mais de cem casas, são possíveis de execução em Fortaleza. Não é à toa o fraco desempenho desse programa na Capital.

O Plano Habitacional para reabilitação da área central de Fortaleza é outro projeto que depende da aprovação da Lei Complementar. Curiosamente, anteontem, a Câmara promoveu uma audiência pública para discutir esse Plano.

Outro projeto que depende da lei em tramitação é o que regulamenta as regras urbanas contidas no Plano Diretor para a ocupação do solo em áreas como o Poço da Draga. Essa área passará pro um processo de urbanização em função dos projetos do seu entorno, como o Acquario e o Centro Cultural da CEF (antiga Alfândega).

O vácuo legal engessa vários projetos contidos em toda a programação da cidade para ser sede da Copa de 2014. Obras viárias como o alargamento de vias e a construção do VLT, que vai cortar a cidade de uma ponta a outra, dependem da regulamentação.

Como bem disse a vereadora Eliana Gomes (PCdoB), Fortaleza pode deixar de receber verbas federais, destinadas à estruturação da cidade, por conta da não regulamentação do Plano Diretor.
Portanto, não se justifica que a Câmara empurre com a barriga a análise de um projeto tão vital para os melhores interesses da cidade. Não custa repetir: é só a regulamentação. Não se trata do Plano Diretor em si, que já foi aprovado em 2009 após passar por um debate de quase quatro anos no âmbito do legislativo municipal e da sociedade.

Fonte:  O POVO Online/Colunas/fabio campos
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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cidade em rede

Artigo escrito pelo arquiteto e ex-presidente do IAB-CE, Joaquim Cartaxo, e publicado no jornal O Povo na edição do dia 20 de junho de 2011

É voz corrente, entre estudiosos, que o século XX foi o século da urbanização da humanidade, o século XXI será o século da cidade e, em 2030, por volta de 80% da população mundial viverão em aglomerações urbanas e a maioria desse percentual nas metrópoles.

Dada essa tendência geral, as cidades serão produzidas como território privilegiado de desenvolvimento da humanidade e da economia, reunindo negócios, ideias e serviços.

Dentre outras tendências, grifa-se que o modelo de cidade como um adensamento de indivíduos isolados será sucedido pela cidade em rede; um nó de uma rede global de cidades por meio da qual informações, ideias, criatividade e conectividade entre empresas, instituições, cidadãos e governo serão propagadas e estimuladas em um movimento contínuo de mudança e de avanço.

O cidadão e a cidadã da cidade em rede compartilharão a responsabilidade e os motivos das decisões de governo que estará organizado a partir de quatros pontos estratégicos: participação, conectividade, gestão pública profissionalizada e de resultados.

Produto da sociedade da informação, a cidade em rede se consolidará como ambiente que predominará o estilo de vida digital com governantes e governados dialogando, se comunicando de modo rápido por meio de dispositivos multifuncionais e suportes tecnológicos adequados, no sentido de das pessoas buscarem o atendimento de seus interesses e necessidade de trabalho, de informação, de diversão dentre outras atividades da vida humana.

Tudo isso acontecerá de modo diferenciado de lugar para lugar, porque as cidades atingiram padrões de desenvolvimento econômico, técnico e tecnológicos distintos no tempo e no espaço. Logo, há desafios a serem equalizados como desenvolvimento sustentável e crescimento econômico global e local; moradia digna, segurança e transporte público efetivo para todos; diálogo, transparência e pactos entre cidadãos e governantes.

Fonte: O Povo
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